O tratamento das fístulas colovesicais e de outras fístulas enterovesicais depende da sintomatologia, das complicações e da etiologia primária. Em doentes com fístulas de longa duração e infeções recorrentes do trato urinário, o tratamento inicial centra-se na otimização da fisiologia, através do tratamento da urosepsia e da correção das deficiências nutricionais. Qualquer abcesso deve ser drenado.
O tratamento conservador é uma opção favorável em doentes com fístulas enterovesicais secundárias à doença de Crohn ou à tuberculose, em que a terapia médica constitui a base do tratamento. Esta abordagem é indicada em doentes que não são bons candidatos à cirurgia devido à idade avançada, comorbilidades significativas ou esperança de vida limitada.
O tratamento conservador inclui repouso intestinal, nutrição parentérica total em situações agudas, antibióticos de amplo espectro e drenagem contínua da bexiga.
A cirurgia, se necessária, é determinada pela causa subjacente:
- diverticulite — dissecar de forma não traumática o cólon da bexiga, ressecá-lo e realizar uma anastomose primária. Se a ressecção não for possível, considerar uma manobra de Hartmann.
- carcinoma — tratar com cuidado para garantir que as células tumorais não se espalhem para a pelve. Remover um disco da parede da bexiga em continuidade com o cólon, fechar a bexiga e colocar um cateter durante 7 a 10 dias.
As taxas de complicações variam entre 8% e 49%, incluindo fuga anastomótica, fuga vesical e necessidade de reintervenção, com uma mortalidade global que pode atingir os 63%.
Referência
- Zizzo M et al. Gestão da fístula colovesical: uma revisão sistemática. Minerva Urol Nephrol. Agosto de 2022;74(4):400-408.
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