O vírus Oropouche (OROV) é um dos arbovírus mais comuns que infectam humanos no Brasil (1):
- O OROV é o agente causador da febre do Oropouche (também conhecida como febre da preguiça), uma doença arboviral febril que é freqüentemente associada à região da Amazônia brasileira
- um arbovírus do género Orthobunyavirus da família Peribunyaviridae (ordem Bunyavirales), que é transmitido aos seres humanos predominantemente pela picada do mosquito Culicoides paraensis (2)
- a transmissão do vírus Oropouche ocorre através de ciclos urbanos e silváticos, com o mosquito picador antropofílico Culicoides paraensis que serve de vetor primário nas zonas urbanas
- após ser picado por um mosquito ou mosquito infetado com OROV, um período de incubação de 3 a 8 dias precede o aparecimento da doença (3)
- O OROV é conservado na natureza através de um ciclo urbano e de um ciclo silvático, que pode incluir vários vectores diferentes:
- ciclo silvático
- no ciclo silvático, há provas de que as preguiças de garganta pálida (Bradypus tridactylus), os primatas não humanos e algumas aves selvagens desempenham um papel como hospedeiros vertebrados
- ciclo urbano
- os seres humanos são provavelmente também o elo de ligação entre os ciclos silvático e urbano, quando os seres humanos invadem a floresta, são infectados e regressam às zonas urbanas durante o período virémico (1)
- os estudos excluíram o envolvimento de animais domésticos, como gatos, cães ou galinhas, no ciclo urbano, sugerindo que os seres humanos são o único hospedeiro vertebrado, sem provas de transmissão direta do OROV entre seres humanos (2)
- os seres humanos são provavelmente também o elo de ligação entre os ciclos silvático e urbano, quando os seres humanos invadem a floresta, são infectados e regressam às zonas urbanas durante o período virémico (1)
- ciclo silvático
- A febre OROV é uma doença febril aguda, semelhante à dengue, com sintomas clínicos comuns como febre, dor de cabeça, dores musculares e articulares e erupção cutânea, que pode evoluir para meningite e/ou encefalite
- na maioria dos indivíduos, a doença aguda é relativamente curta, com uma duração de 2 a 7 dias, mas em alguns, especialmente nos que têm envolvimento do sistema nervoso central (meningite e encefalite), a doença pode persistir durante 2 a 4 semanas e pode incluir astenia (perda de força) (3)
Referência:
- Travassos da Rosa JF, de Souza WM, Pinheiro FP, Figueiredo ML, Cardoso JF, Acrani GO, Nunes MRT. Vírus Oropouche: Aspectos Clínicos, Epidemiológicos e Moleculares de um Orthobunyavirus Negligenciado. Am J Trop Med Hyg. 2017 May;96(5):1019-1030.
- Sakkas H, Bozidis P, Franks A, Papadopoulou C. Febre de Oropouche: Uma revisão. Viruses. 2018 Abr 4;10(4):175.
- Zhang Y, Liu X, Wu Z, Feng S, Lu K, Zhu W, Sun H, Niu G. Vírus Oropouche: Uma ameaça arboviral global negligenciada. Virus Res. 2024 Mar;341:199318
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