- não há casos relatados em que a infeção com E. vermicularis tenha causado danos ao feto
- foi publicado um caso em que dois vermes adultos foram encontrados dentro de um embrião no exame histológico do tecido após dilatação e curetagem para morte embrionária (1)
- os óvulos dos helmintos foram recuperados da vagina e do endométrio da paciente
- este caso muito invulgar fornece mais provas da capacidade invasora do E vermicularis
- os autores acreditavam que a causa da morte não estava relacionada com a infeção por vermes - sugeriram que a infestação por vermes provavelmente ocorreu após a morte do feto
- a infeção por vermes não tem sido associada a um mau resultado da gravidez
- a utilização de mebendazol na gravidez foi investigada num estudo realizado por de Silva et al (2):
- a investigação do estudo foi realizada num país onde o tratamento com medicamentos anti-helmínticos no segundo trimestre é efetivamente recomendado devido aos problemas relacionados com a anemia materna grave e as lesões fetais que podem ocorrer com determinadas infecções helmínticas
- o estudo constatou que a taxa de defeitos congénitos graves não era significativamente mais elevada no grupo do mebendazol do que no grupo de controlo (97 [1-8%] de 5275 vs 26 [1-5%] de 1737; odds ratio 1-24 [95% CI 0-8-1-91], p=0-39)
- no entanto, entre 407 mulheres que tomaram mebendazol no primeiro trimestre (contrariamente ao aconselhamento médico), 10 (2-5%) tinham defeitos congénitos graves (odds ratio vs controlos 1-66 [0-81-3-56], p=0-23).
- os autores do estudo sugeriram que a terapêutica com mebendazol durante a gravidez não estava associada a um aumento significativo de defeitos congénitos graves, mas os seus resultados indicaram que o mebendazol deve ser evitado durante o primeiro trimestre
- note-se, no entanto, que alguns autores defendem que o tratamento só deve ser efectuado após o parto, a menos que o potencial benefício seja muito superior ao risco para o feto (3)
- Note-se que um boletim do MeReC refere que "...a adoção de medidas de higiene rigorosas durante pelo menos 6 semanas é a única alternativa para as pessoas que não podem ou não querem receber tratamento anti-helmíntico (por exemplo, mulheres grávidas)..." (4)
- As diretrizes da Public Health England (5) referem que, se a lombriga ocorrer durante a gravidez (pelo menos no primeiro trimestre)
- o tratamento indicado é apenas a adoção de medidas de higiene durante 6 semanas
Referências:
- (1) Mendoza E et al. Invasão do embrião humano por Enterobius vermicularis. Arch Pathol Lab Med 1987;111: 761-762.
- (2) de Silva NR et al. Effect of mebendazole therapy during pregnancy and birth outcome. Lancet 1999;353:145-1149.
- (3) Hamblin J, Connor PD. Pinworms in pregnancy. JABFP 1995; 8: 321-324
- (4) Boletim MeReC (2008); 18 (4)
- (5) Saúde Pública de Inglaterra (junho de 2021). Gerir infecções comuns: orientações para os cuidados primários
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