Normalmente, a LMC segue três fases identificáveis (trifásica): (1)
- fase crónica (PC):
- mais de 90% dos doentes são diagnosticados nesta fase
- a duração é variável, com uma mediana de 3 anos, variando de vários meses a mais de 10 anos
- o tratamento pode aliviar os sintomas e fazer regressar ao normal a contagem de glóbulos brancos e o baço
- poucos sintomas
- doença acelerada (AP):
- dois terços transformam-se gradualmente numa leucemia aguda, o que se designa por fase acelerada
- dura 2-15 meses, após o que ocorre a fase de crise blástica
- caracterizada por uma paragem crescente da maturação (que é uma indicação de transformação em PB)
- Critérios da OMS utilizados para definir esta fase
- blastos 10%-19% dos leucócitos nas células periféricas e/ou nucleadas da medula óssea
- basófilos no sangue periférico 20%
- trombocitopenia persistente (< 100 x 10 /L) não relacionada com a terapêutica, ou trombocitose persistente (> 1000 x 10 /L) que não responde à terapêutica
- aumento do tamanho do baço e da contagem de leucócitos sem resposta à terapêutica
- evidência citogenética de evolução clonal
- fase blástica (BP) ou crise blástica (BC)
- dura 3-6 meses e conduz inevitavelmente à morte
- cerca de 20-25% dos doentes evoluem diretamente da PC para a PB
- Critérios de definição da OMS para esta fase
- 20% de blastos nos glóbulos brancos do sangue periférico ou nas células nucleadas da medula óssea
- proliferação extramedular de blastos
- grandes focos ou aglomerados de blastos na biopsia da medula óssea
A progressão gradual da LMA da fase crónica, passando pela fase acelerada, até à fase blástica pode demorar cerca de 1 ano ou mais.
- Normalmente, a progressão anual da fase crónica para a fase blástica é de 5-10% nos primeiros 2 anos e de 20% nos anos seguintes.
A doença transformada assemelha-se a uma leucemia aguda fulminante. 70% dos casos envolvem blastos da linhagem mieloide. Os blastos linfóides são menos comuns e apresentam marcadores caraterísticos da membrana celular, como o antigénio comum da leucemia linfoblástica aguda (CALLA) e a desoxinucleotidil transferase terminal nuclear.
Referência:
- Smith G, Apperley J, Milojkovic D, et al. A British Society for Haematology guideline on the diagnosis and management of chronic myeloid leukaemia. Br J Haematol. 2020 Oct;191(2):17c
Páginas relacionadas
Crie uma conta para adicionar anotações à página
Adicione informações a esta página que seriam úteis de ter à mão durante uma consulta, como um endereço web ou número de telefone. Estas informações serão sempre apresentadas quando visitar esta página