estado hiperglicémico hiperosmolar (HHS)
O estado hiperosmolar hiperglicémico (HHS), anteriormente conhecido como coma hiperosmolar não cetótico (HONK), é uma síndrome caracterizada por elevações extremas das concentrações de glicose no soro, hiperosmolalidade e desidratação sem cetose significativa (1,2).
- As caraterísticas que o diferenciam de outros estados hiperglicémicos, como a cetoacidose diabética, são
- hipovolémia
- hiperglicemia marcada (30 mmol/L ou mais) sem hipercetonemia significativa (7,3, bicarbonato >15 mmol/L)
- osmolalidade geralmente igual ou superior a 320 mosmol/kg
- N.B. - pode ocorrer um quadro misto de HHS e de cetoacidose diabética (2)
A incidência da SHH é desconhecida, mas pensa-se que seja <1% dos internamentos hospitalares em doentes com diabetes
- é comum em pacientes idosos com diabetes tipo 2, mas a SHH também foi relatada em
- crianças (em bebés, especialmente aqueles com diabetes mellitus neonatal transitória relacionada com o 6q24)
- adultos jovens
- em indivíduos com diabetes de tipo 1
- nas crianças, é menos frequente quando comparada com a cetoacidose diabética (CAD)
- estima-se que a taxa de mortalidade seja de 20% (10 vezes superior à da cetoacidose diabética) (1).
O aumento gradual da poliúria e da polidipsia resultará numa desidratação profunda e na perda de electrólitos num doente.
- nos adultos com SHS, estima-se que a perda de fluidos seja duas vezes superior à dos adultos com cetoacidose diabética
- os sinais de desidratação podem ser menos evidentes devido à hipertonicidade que preserva o volume intravascular (1)
Osmolalidade pode ser calculada a partir da fórmula
osmolalidade = 2(Na+K) + ureia + glucose
Note-se que o sódio sérico pode estar baixo, apesar de o doente estar gravemente hiperosmolar. Isto deve-se à redistribuição de fluido para o fluido extracelular (secundária ao nível elevado de glucose).
Referência:
- (1) Wolfsdorf JI et al. Cetoacidose diabética e estado hiperosmolar hiperglicémico. Pediatr Diabetes. 2014;15 Suppl 20:154-79.
- (2) Pasquel FJ, Umpierrez GE. Estado hiperosmolar hiperglicémico: uma revisão histórica da apresentação clínica, diagnóstico e tratamento. Diabetes Care. 2014;37(11):3124-31.
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